Conheça os(as) "Educadores(as)
de Valor 2021" e participe também do evento de reconhecimento.

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Região do Maranhão

Escola: UEB Lima Verde

Cidade: Paço do Lumiar (MA

Ciclo: Ensino Fundamental I

 

Função: Coordenadora Pedagógica

Eweny Cristina Moraes Figueiredo

 

Eweny Cristina Moraes Figueiredo é educadora e acredita que a educação é a base para a  formação e emancipação social. Tem como sua maior influência a própria mãe, que também era professora, mas a paixão pessoal pela profissão surgiu no dia a dia diante dos desafios e percebendo que educar é colocar em prática ações capazes de mobilizar conhecimentos e contribuir com a formação, desenvolvimento e transformação de uma sociedade. 

 

A educadora conta que procura sempre manter a atenção na diversidade, nas representações e nos níveis de aprendizagem dos alunos e que valoriza a afetividade nas relações entre professor e aluno. Para ela, a alfabetização é um dos processos mais interessantes que já pode participar e fica grata ao ver os alunos escreverem seus nomes completos com autonomia, identificar os sons e ler palavras e textos na velocidade e entonação corretas. 

 

Como coordenadora pedagógica da Unidade de Educação Básica Lima Verde, Eweny iniciou um ciclo formativo para professores, convidando outras escolas para participar. Quando trabalhava em outro município, a educadora viu o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da escola em que era gestora crescer.

 

Para ela, a pandemia tem sido um período muito desafiador, mas também de muita aprendizagem, construção de saberes e inovação da prática para todos os profissionais da escola, mas acredita que o ensino remoto jamais poderá substituir o presencial, que é diariamente ressignificado por meio da mediação e interação do professor com seus alunos.

 

“O entrosamento e o fortalecimento de parcerias e do trabalho em equipe melhorou. Reuniões, plantões pedagógicos, conversas individuais com as famílias continuaram fazendo parte do nosso trabalho. As festividades também continuaram: a partir dos meios digitais, mobilizamos toda a comunidade escolar e envolvemos os pais nesse processo.”

Escola: UEB Pão da Vida

Cidade: Paço do Lumiar (MA)
Ciclo: Ensino Fundamental I

Função: Professor

Jailson Antonio Ribeiro Viana

Jailson Antonio Ribeiro Viana é professor do 3º ano do Ensino Fundamental na Unidade de Ensino Básico Pão da Vida, em Paço do Lumiar, Maranhão.

 

Atuando há seis anos na área da educação, tendo suas primeiras experiências como professor em uma escola para jovens e adultos, Jailson conta que uma dificuldade foi enfrentar o preconceito. “A pedagogia é um campo feminino e isso me trouxe receio até conseguir entrar na Educação Infantil, que era meu objetivo. Fui voluntário por quatro anos em uma escola comunitária.”

 

Após essa experiência, o educador trabalhou em uma escola particular, no Ensino Fundamental, na qual era monitor pedagógico. Para o pedagogo, a educação transforma vidas e mundos.

 

“Na UEB Pão da Vida, realizei um projeto de reconstrução no Dia dos Pais. A maior parte das pessoas responsáveis pelos meus alunos é de mães solteiras. Então, trabalhei a figura paterna, independentemente de quem ocupasse esse papel na vida da criança, e recebi um retorno muito bom das famílias, que se sentiram representadas.”

 

Por ser um homem e trabalhar com crianças, Jailson contou que algumas famílias o viam com certo preconceito em outras instituições em que trabalhou. “Acredito que a educação de gênero deve movimentar os currículos. Brincar de bola é para todo mundo, cores não são definidas por gênero e as crianças devem ser livres.”

 

Com a pandemia de Covid-19, passou a dar aulas pelo WhatsApp para seus 21 alunos, enviando áudios, fotos e vídeos, e considera essa uma experiência desafiadora, mas transformadora e gratificante em sua vida.

 

Ele conta que, por enquanto, o ensino presencial não tem previsão de retorno e que uma das dificuldades é o limite de armazenamento dos celulares, que não é suficiente para guardar documentos como livros e atividades, e também a qualidade e o acesso a internet, que é caro.

 

“A aula começa com emojis de bom dia. Depois, inicio um bate-papo entre todos, aplico ou corrijo alguma atividade e envio vídeos, fotos ou áudios explicando o conteúdo do dia”, conta.

 

Ao final da aula, Jailson sempre traz uma frase motivacional para seus alunos e envia medalhas por emojis para valorizá-los.

Escola: Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Rosa de Saron 

Cidade: Juruti (PA)

Ciclo: Ensino Fundamental I

Função: Professora

Ivanete Bezerra Castro

 

Ivanete Bezerra Castro interrompeu os estudos no Ensino Fundamental. Um trabalho voluntário despertou seu desejo de contribuir para transformar mais vidas. Para isso, precisou se preparar. Assim, acompanhada do marido, voltou para a sala de aula com 29 anos.  

 

Apesar de querer trabalhar com a Educação de Jovens e Adultos (EJA), depois do magistério, duas graduações - Pedagogia e Sociologia -, uma pós-graduação e passagens pela Educação Infantil e Ensino Médio, foi o Ensino Fundamental I que a atraiu.  

 

Com as turmas do quarto e quinto ano, a educadora percebeu que as crianças tinham grandes dificuldades com leitura, interpretação de texto e escrita. O cenário desafiador motivou Ivanete a pensar estratégias para mudar essas histórias. 

 

Assim nasceu o projeto Caminho da Leitura. Ao longo do ano, os alunos devem ler o maior número de livros à medida que vão escrevendo resumos das obras em um caderno. É a partir desse registro que a professora acompanha o pensamento reflexivo e crítico da criança, a ortografia, desenvolvimento cognitivo e outras habilidades. 

 

Além de eleger um leitor do mês, o projeto tem como culminância a realização da Feira do Leitor. Estrelas conquistadas ao longo das leituras são trocadas por um dinheiro fictício para compra de livros e brinquedos na feirinha, adquiridos por Ivanete. Os 300 reais investidos em 2017 transformaram-se em 1.500 em 2019. Mas ela garante que vale a pena: o aluno que mais leu em 2017 leu 17 livros e, em 2019, uma aluna contabilizou 273 obras. 

 

Emocionada, ela conta que o momento da pandemia foi um dos grandes desafios de sua trajetória por conta da dificuldade no contato com os estudantes, que têm acesso precário à internet. É comum que a educadora espere os pais das crianças chegarem do trabalho com o celular e ligue para tirar eventuais dúvidas sobre as tarefas.  

 

Ivanete também criou um projeto para professores. Depois de perceber que seus colegas tinham pouco conhecimento sobre tecnologia, ela organizou formações gratuitas no projeto Práticas Inovadoras. Deu tão certo que a ação já aconteceu em outras duas escolas da região. 

 

Sobre a valorização dos educadores, Ivanete diz sentir falta de mais amparo por parte de gestores e de colegas de trabalho para apoiar suas ideias e projetos. 

 

“Quando decidi ser professora, sabia que enfrentaria desafios, mas eles nos motivam a continuar e fazer melhor e não a ficar de braços cruzados porque tem gente precisando de nós. Paulo Freire diz que a educação não transforma o mundo, mas muda pessoas que mudam o mundo. Eu acredito que, a cada dia, podemos dizer que nascemos para fazer a diferença. Estou aqui para contribuir com a profissão e fazer a diferença na educação.”

Escola: Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Antonio Moreira Rocha

Cidade: Juruti (PA)

Ciclo: Ensino Fundamental I

Função: Diretor

Lídio Paz dos Santos

Quem vê Lídio Paz dos Santos ocupando, hoje, a posição de diretor da escola, não imagina que ele começou na educação por acaso. Cursou o magistério pois, na época, esse era o único tipo de Ensino Médio disponível. A vivência dia após dia em sala de aula mostrou que a educação poderia melhorar sua qualidade de vida. 

 

Esse é, inclusive, um dos motivadores pessoais do educador. De origem humilde, ele acredita que, assim como a educação mudou sua vida e de sua família, pode fazer o mesmo com os alunos. Muitos deles, inclusive, já alcançaram bons resultados seguindo as orientações do professor, que defende que essa influência positiva é mais importante do que notas ou o status aprovado ou reprovado. 

 

Uma das estratégias que Lídio utiliza para envolver toda a comunidade é a gestão democrática. Para ele, ouvir a opinião das famílias, dos estudantes e de organizações comunitárias tem sido um diferencial para que a escola consiga tirar do papel alguns projetos que, apenas com o apoio público, seria mais desafiador. 

 

O diretor explica que atuar em uma escola localizada na zona rural demanda algumas mudanças de comportamento, como uma adequação à maneira como as pessoas vivem, pois uma linguagem estritamente técnica não seria compreendida e dificultaria um processo de aproximação, prejudicando o andamento de ações e projetos. 

 

Nesse sentido, além da orientação técnica de agrônomos, a valorização dos saberes das famílias sobre agricultura foi fundamental para o projeto da horta na escola. A ideia inicial era que os alimentos plantados apoiassem a merenda escolar. Com a escola fechada por conta da pandemia de Covid-19, o recurso da comercialização da produção foi destinado a complementar a renda das famílias, bem como apoiar o custeio da impressão de materiais pedagógicos para os estudantes durante o período de atividades remotas. Professores, alunos e a comunidade cuidam do espaço que Lídio chama de eco-alfabetizador, pois pode ser usado em diferentes disciplinas para estudo. 

 

Esse processo de aproximação com a comunidade responde a um dos principais desafios da educação na visão do diretor: o distanciamento entre família e escola, que foi agravado pela pandemia. Para Lídio, falta uma relação de parceria entre pais e educadores. 

 

“A pandemia não tem sido fácil para ninguém, inclusive para a escola. Mas apesar de todas as dificuldades, continuamos nos empenhando. Aqui e ali, algum professor desanima, mas eu o encorajo de novo e digo que vamos conseguir, pois as crianças precisam das oportunidades de educação que nós tivemos. Acredito que a sociedade deve reconhecer o trabalho dos professores, principalmente, a partir do momento que ele começa a influenciar sua qualidade de vida, o que tenho tentado fazer.”

Escola: Escola Municipal Wilson Hedy Molinari

Cidade: Poços de Caldas (MG)

Ciclo: Ensino Fundamental I e II

Função: Diretora e professora

Ana Maria Lobo de Carvalho

 

A principal incentivadora da carreira educacional de Ana Maria Lobo de Carvalho é a sua mãe, Terezinha de Fátima Ferreira, que estudou e trabalhou na Escola Paroquial São Sebastião. Na época, um colégio religioso, administrado por padres e freiras da Congregação dos Oblatos. 

Anos depois, após uma série de mudanças, o mesmo local se transformou na Escola Municipal Wilson Hedy Molinari. Foi quando Ana passou a ser professora do Ensino Fundamental I e II, e, atualmente, exerce o segundo mandato como diretora de 650 alunos divididos em dois turnos. 

Ana lembra que começou a trabalhar desde cedo com educação, quando tinha apenas 16 anos. Lá se vão 22 de sala de aula, desses, apenas dois em uma escola particular. Professora, gestora escolar e coordenadora de creche. A educação, seja em qual ambiente for, faz parte da vida de Ana Maria, que desde criança já tinha ciência do que fazer em sua vida. 

No Conselho Municipal de Educação, Ana está em segundo mandato como presidente da entidade, cujo papel é consultivo, deliberativo e de articulação junto à educação e educadores do município de Poços de Caldas. O espaço teve um papel importante, por exemplo, na implementação do ensino remoto por conta da pandemia.

 

Nessas duas décadas, um episódio marcou sua jornada, em seu primeiro ano de trabalho no Ensino Fundamental I. A professora, naquele período, se deparou com uma menina de 10 anos de idade que precisava ser alfabetizada. Certo dia, após um tempo de estudos, a criança apareceu na sala com o cabelo curto. A educadora elogiou o penteado da aluna, que contou: “a minha mãe havia feito uma promessa de eu cortar o cabelo assim que aprendesse a ler”. Ana, que se emociona com a história, ressalta a importância de sua trajetória escolar, tanto como aluna, como professora e como gestora. De fazer parte de uma grande comunidade educativa que é o ensino público, e de conhecer os inúmeros desafios da área no Brasil.

Toda essa trajetória educacional, desde quando acompanhava a mãe no trabalho e a ajudava com a alimentação das crianças, até os dias de hoje, mostra para Ana que a sociedade tem papel fundamental no respeito e valorização do trabalho dos educadores. Ela enxerga que, nos últimos tempos, houve uma politização da profissão, o que colocou, por vezes, os professores como rivais da sociedade.

“Eu acredito que a única forma de transformar as pessoas é por meio dos estudos. Eu vivo educação e escola. A minha vida se resume à minha família e à educação. O maior desafio nosso hoje é mostrar para as famílias e para os estudantes a importância do conhecimento.”

Escola: EMEB Euclides da Cunha

Cidade: Divinolândia (SP)

Ciclo: Ensino Fundamental II

Função: Professora

Patrícia de Oliveira Santos

 

Autor da notável obra brasileira “Os Sertões”, Euclides da Cunha é homenageado por uma escola municipal de educação básica de Divinolândia, interior de São Paulo. E é nesse espaço que Patrícia de Oliveira Santos estudou e, anos depois, após se formar em Letras e Pedagogia, passou a lecionar. Com sorriso largo, ela enxerga, em sua profissão, o papel de despertar e cultivar o amor dos estudantes pela educação.

Formada há 16 anos, entretanto, Patrícia está na sala de aula como educadora desde criança, quando, em sua casa, com uma lousa, exercia o duplo papel de aluna e professora. As experiências como conselheira tutelar por três anos e como mediadora escolar durante seis anos agregaram à sua profissão, e a instigou a lutar por um mundo mais justo. 

Responsável por ministrar as disciplinas de Inglês e Português e apaixonada por literatura, Patrícia tenta sempre trazer as obras que propõe leitura para a realidade de vida de seus alunos. Certo dia, a professora e os estudantes leram um livro sobre uma menina paraplégica, o que rendeu uma pesquisa escolar sobre a acessibilidade da cidade de Divinolândia.

Essa história remete ao lema da professora: “Com criatividade, o amor se manifesta de todas as formas”. Ela se define como “canseirinha”, por buscar, no poder público e na iniciativa privada, parcerias para suprir algumas necessidades do ambiente escolar. Para conseguir doações de livros para a escola, Patrícia convidou o prefeito da cidade para um debate escolar, posteriormente conseguiu a doação para a biblioteca. Por isso, ela crê na participação em movimentos estudantis, e exerce, atualmente, a coordenação de um grêmio escolar. 

Quando se formou, Patrícia pensou muito em qual tipo de professora gostaria de ser. Como é muito animada, alegre e criativa, suas aulas não poderiam ser diferentes. Buscou, então, ser também essa educadora, pois queria que os seus alunos se encontrassem na escola e na disciplina de Língua Portuguesa.

“O escritor Euclides da Cunha é uma referência para mim, de maneira técnico-científica traz a história, a divisão entre as partes e analisa o homem, o meio e o momento histórico. Ele sempre me inspirou como professora e escritora, por isso acrescento a seguinte frase escrita por ele: ‘O educador brasileiro é, antes de tudo, um forte’”.

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Escola: UEB José Raimundo Rubim

Cidade: Paço do Lumiar (MA)
Ciclo: Ensino Fundamental II

Função: Professora

Maria dos Santos Viana

Maria dos Santos Viana é educadora há 11 anos e, hoje, atua como professora de atendimento educacional especializado (AEE) na sala de recursos da UEB José Raimundo Rubim, em Paço do Lumiar, no Maranhão. Ela acredita que por meio da educação, pode fazer a diferença e promover a inclusão de pessoas com e sem deficiência.

 

“Ser educadora de pessoas com deficiência é presenciar pequenos milagres porque cada conquista do estudante é um novo caminho que se abre para um leque de possibilidades. A educação transforma a vida do estudante quando quebramos a barreira da exclusão, dando a eles adequações que lhes permitem condições de igualdade.”

 

A história de vida de um estudante com Transtorno Espectro Autista (TEA) marcou a vida da educadora. A criança chegou na sala de recursos em que ela trabalha com três anos de idade e não se comunicava verbalmente, não conseguia comer quase nada, chorava muito e até se machucava.

 

“Busquei literatura que falasse sobre esse transtorno e metodologias que se adequassem às suas necessidades. Hoje, essa criança tem 9 anos, fala e é bem desenvolvida intelectualmente, embora ainda apresente comorbidades.”

 

Para a educadora, os desafios vão além dos conhecimentos teóricos. É preciso saber aliá-los às práticas no atendimento educacional especializado.

 

“Saber fazer o diagnóstico de aprendizagem do aluno e minha autoavaliação como docente nem sempre é uma tarefa fácil. É uma busca constante para alinhar as estratégias à realidade do aluno. Cada estudante possui um plano educacional especializado e nele são traçadas as metas a serem alcançadas.”

 

No início da pandemia, Maria conta que ficou preocupada sobre como atender os estudantes. Depois de um planejamento bem elaborado, iniciou as aulas remotas e percebeu que precisava de adequações.

 

“Alguns não conseguiram se adaptar às aulas online, por não disporem de meios tecnológicos ou por apresentarem comorbidades mais acentuadas. Foi quando alguns pais entraram em contato pedindo ajuda dizendo que seus filhos estavam retrocedendo no aprendizado.”

 

Diante da situação, a educadora teve a ideia de ir até os estudantes. Seguindo todos os protocolos de segurança, ela vai de porta em porta, uma vez por semana, para atender seus alunos.

 
 

Região do Pará

Escola: Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Manoel Pereira da Cunha

Cidade: Juruti (PA)

Ciclo: Fundamental I e II

Função: Professor 

Raimundo Damião Pantoja Soares

 

Vindo de uma família de carpinteiros e pecuaristas, Damião Soares, como é conhecido na região, teve grande influência de seu avô para que estudasse e buscasse um futuro diferente. Ele também recorda com carinho a influência de seu irmão mais novo, já falecido, que foi o primeiro da família a ingressar na faculdade.  

 

Depois de finalizar o Ensino Médio e trabalhar em um supermercado e em um restaurante, a nota do vestibular permitiu que ele escolhesse cursar Administração ou Educação Física. Nesse momento, sua paixão desde pequeno pela história do handebol falou mais alto. 

 

Durante sua trajetória na universidade, Damião não se contentou com o sonho de conseguir um diploma. Foi presidente do centro acadêmico e criou projetos que existem até hoje na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), como os Jogos Universitários de Parintins (JUPIN). 

 

O educador conta que aproveitou tudo o que a universidade poderia lhe oferecer: até disciplinas de outros cursos, como Educação Indígena, ele fez. Já ministrou palestras sobre o orgulho que sente de ser professor e a importância de estudar e não desistir. 

 

Atualmente, o amor pelo esporte é canalizado para projetos comunitários. Além de sua atuação na escola, Damião organiza práticas de handebol direcionadas especialmente a jovens, mas que atendem pessoas de 5 aos 50 anos. Os treinos passaram a acontecer quatro vezes por semana por conta da alta demanda - outras modalidades também são praticadas, como vôlei e futebol. Para financiar as práticas, além das contribuições das famílias, ele realiza rifas e venda de feijoada e pizza. Todas as aulas são gratuitas. 

 

Algumas famílias compartilham que o handebol ajudou os filhos que tinham depressão. Também há jovens que pararam de fumar e de beber e adquiriram hábitos saudáveis. Para Damião, isso acontece porque o esporte vai além da prática e agrega valores de cidadania e respeito. Ele próprio precisou mudar seus hábitos pessoais para servir de exemplo. 

 

Entretanto, a valorização dos educadores, principalmente na sua área, ainda é um desafio. Segundo Damião, é comum, pela falta de professores especializados na região, que gestores designem profissionais de outras áreas para ministrar Educação Física. Ele reforça que, desde que se formou na universidade, já fez cerca de 100 cursos para se manter atualizado e combater visões equivocadas sobre a profissão.  

 

“Essa falta de valorização dos nossos colegas, às vezes, nos faz querer desistir. Mas, então, pensamos que o nosso aluno precisa da gente, precisa de uma aula diferenciada e de um ombro amigo. O professor brasileiro não é tão valorizado como deveria. É claro que precisamos de valorização financeira, mas, principalmente, precisamos ser valorizados e respeitados dentro e fora da sala de aula.” 

 

Região de São Paulo e Minas Gerais

Escola: Escola Municipal João Pinheiro

Cidade: Poços de Caldas (MG)

Ciclo: Ensino Fundamental I

Função: Diretora

Valmíria Dias de Carvalho

 

Valmíria Dias de Carvalho se casou com a educação e só não promoveu a sua festa de bodas de rubi devido à pandemia de Covid-19. Ela é educadora há 40 anos, estando nos dois últimos como diretora da Escola Municipal João Pinheiro. Terminou o curso de pedagogia na Universidade Federal de Alfenas (Unifal), em 2018, após ajudar a formar seus quatro filhos. 

Há quatro décadas, numa época difícil para as mulheres se aprofundarem nos estudos, Valmíria, para tentar superar a timidez, decidiu cursar magistério. A então pretensa escritora despertou para a educação quando começou a cuidar das crianças de uma igreja.

Algum tempo depois, nos anos 1980, Valmíria entrou de vez na sala de aula com uma turma de alfabetização. O difícil era ela se encontrar no manual do professor da época, com um conteúdo que não atraía os alunos. A professora, que costuma inovar ao lecionar, resolveu criar seu próprio manual.

Instrumentos musicais, canções, fantasias. Tudo isso era útil, desde que contribuísse com o aprendizado das crianças. Há, inclusive, pessoas que até hoje se lembram da professora vestida de palhaço para ensinar um estudante tímido a aprender matemática.

São muitas histórias ao longo desses anos na educação, entretanto, tem uma que mexe com a gestora, a qual considera o maior desafio de sua carreira: a inclusão de uma aluna de 7 anos com deficiência auditiva, no 1º e 2º anos do Ensino Fundamental. Naquele momento, ninguém ali se comunicava por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Valmíria propôs um desafio aos seus alunos e responsáveis: a turma vai aprender a se comunicar em Libras, sendo a aluna com dificuldade auditiva a professora. 

A proposta deu certo, foi abraçada pelos alunos e familiares. Depois, coube à turma ensinar àquela criança a oralidade e a leitura labial. O fato ocorreu entre os anos 2008 e 2009. Desde então, a paixão pela inclusão escolar tem norteado a carreira da diretora, que pensa, inclusive, em desenvolver um mestrado na área.

Mas a educadora não abandonou o gosto pela literatura infantil. Quatro livros já estão prontos para ser publicados.

“Não existe uma transformação social sem passar pela educação. Ela muda as nossas vidas, realidades e rotas. Eu sempre falo que você só vai conseguir uma mudança no banco da escola.”